Tenho um cliente que está desempregado e sentindo muito desânimo só em pensar em retomar a carreira. Ele está se preparando para começar a busca por emprego e, ao mesmo tempo, querendo explorar novas possibilidades.

Ele me comentou que sempre quis trabalhar com crianças mas nunca investiu nisso, que apesar de gostar muito, “não leva jeito”. Pedi um exemplo e ele me relatou que certo dia foi brincar com o filho de um amigo e que foi tão mal naquela brincadeira, segundo ele, que a criança disse: “tio, deixa que eu te mostro como se faz”.

Ele ficou abalado com o comentário, se perdeu em seus pensamentos, extrapolou esta experiência para uma verdade de vida. E pior, acabou deixando passar a oportunidade de aprender com o “especialista”…

Não é interessante como abrimos mão de algumas coisas importantes apenas porque nos deparamos com certas dificuldades como a falta de conhecimento? Na verdade, a vantagem da paixão é que a gente pode usá-la justamente para superar os obstáculos, porque eles provavelmente vão ocorrer.

 Será que para trabalhar com crianças o único pré-requisito é saber brincar de tudo?

Assumindo que seja necessário saber brincar, será que a opinião desta criança representa a opinião de todas, que ele de fato não sabe brincar?

Supondo que realmente não saiba brincar, não dá para aprender?

E, mais importante, o não saber brincar (hoje) significa que ele “não leva jeito” (para sempre)?

Ainda bem que temos muitas linhas de trabalho pela frente!